segunda-feira, 28 de março de 2011

Quem eram os filósofos das Luzes?

Outra forma de estudar o Iluminismo (conhecido também como o movimento das Luzes) é abordá-lo enquanto uma rede social que envolvia os intelectuais da Europa e da América, colocando-os em condições de igualdade.
Um dos ideais comuns aos filósofos era a da República das Letras. O que seria isso? Seria uma comunidade imaginária (diríamos hoje virtual) da qual qualquer pessoa capaz de usar sua razão de modo aparente para todos (o que significava saber ler, escrever, estudar e discutir) poderia participar. Mais que isso, dentro da república das letras, todos seriam iguais e valorizados conforme sua capacidade de usar melhor sua razão.
O historiador Peter Gay entende o Iluminismo como um clima cultural (o modo de uma época pensar e imaginar o mundo) no qual viveram e produziram filósofos que formaram como que uma família ou rede de pensamento. Nem todos os filósofos, no entanto, viveram ao mesmo tempo na república das letras, de modo que o autor distingue três gerações dentre os filósofos, como se vê a seguir:
·         Aqueles que escreveram até 1750. Os intelectuais dessa geração divulgaram o pensamento de importantes cientistas e filósofos ingleses do século XVII, como Isaac Newton (aquele que descobriu a lei da gravidade) e John Locke. As idéias que defendiam eram bastante polêmicas no momento e geraram muitos choques com os Estados, a Igreja e intelectuais conservadores. São exemplos de filósofos dessa geração Montesquieu e Voltaire.
·         Aqueles que cresceram e amadureceram em torno de 1750. Eles somaram, ao anticlericalismo (a crítica forte contra a Igreja e seus membros) e à especulação científica dos filósofos mais velhos, uma visão de mundo moderna e coerente – racional e empirista. São exemplos, Benjamin Franklin, Buffon, Hume, Rousseau, Diderot, Condillac, Helvétius e D’Alambert.
·         Aqueles mais novos que conviveram com os representantes da 2ª geração e os últimos remanescentes da 1ª, viveram entre o fim do século XVIII e o início do XIX. Foram responsáveis por direcionar a filosofia geral do Iluminismo para áreas mais específicas, como a metodologia científica, a metafísica materialista, a economia política e outras. Foram intelectuais como Kant, Holbach, Beccaria, Lessing, Thomas Jefferson, Turgot e Wieland.
Dentre esses vários nomes (e convido vcs a pesquisarem mais sobre eles se tiverem curiosidade!), alguns ficaram mais famosos ao longo da História, tal foi o impacto de seus livros e de suas idéias nas pessoas de sua época e das posteriores e até hoje. Vamos a eles!

·         Montesquieu
  Charles de Montesquieu nasceu em 18 de janeiro de 1689, na cidade de Bordeaux na França. Montesquieu nasceu numa família nobre francesa. Estudou numa escola religiosa de oratória. Após concluir a educação básica, foi estudar na Universidade de Bordeaux e depois em Paris. Nestas instituições teve contato com vários intelectuais franceses, principalmente, com aqueles que criticavam a monarquia absolutista.
Com a morte do pai em 1714, retornou para a cidade de Bordeaux, tornando-se conselheiro do Parlamento da cidade. Nesta fase,viveu sob a proteção de seu tio, o barão de Montesquieu. Com a morte do tio, Montesquieu assume o título de barão, a fortuna e o cargo de presidente do Parlamento de Bordeaux. 
Em 1715, Montesquieu casou-se com Jeanne Lartigue. Tornou-se membro da Academia de Ciências de Bordeaux e, nesta fase, desenvolveu vários estudos sobre ciências. Porém, após alguns anos nesta vida, cansou-se, vendeu seu título e resolveu viajar pela Europa. Nas viagens começou a observar o funcionamento da sociedade, os costumes e as relações sociais e políticas. Entre as décadas de 1720 e 1740, desenvolveu seus grandes trabalhos sobre política, principalmente, criticando o governo absolutista e propondo um novo modelo de governo.
Em 1729, enquanto estava em viagem pela Inglaterra, foi eleito membro da Royal Society.
Montesquieu morreu em 10 de fevereiro de 1755, na cidade de Paris.
Suas principais obras foram As Cartas Persas de 1724, um romance feito de cartas fictícias de dois viajantes persas em passeio pela Europa de Antigo Regime, esse livro causou imenso impacto nas sociedades do período, chocando a muitos pelas suas críticas e ironias ácidas aos costumes da sociedade de corte; O Espírito das Leis de 1748, extensa obra em que Montesquieu mostra enorme erudição ao discorrer sobre as variadas formas de governo possíveis de acordo com as realidades geo-climáticas de cada região, culminando na teoria da tripartição dos poderes, esse livro influenciou revolucionários ao redor do mundo, como os inconfidentes de Minas Gerais em 1789; Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e de sua decadência, em que o autor mostra sua erudição histórica; e diversas contribuições para a Enciclopédia organizada por Diderot e D’Alembert.
Confira o post com mais detalhes sobre o O Espírito das Leis!!
·         Voltaire
   
Voltaire era o pseudônimo (nome adotado por ele para fugir à ira e à censura da Monarquia Absolutista Francesa e da Igreja Católica) de François-Marie Arouet. Foi um importante ensaísta, escritor e filósofo iluminista francês. Nasceu na cidade de Paris, em 21 de novembro de 1694 e morreu, na mesma cidade, em 30 de novembro de 1778. Durante sua vida escreveu diversos ensaios, romances, poemas e peças de teatro, sempre exercitando sua pena crítica, ácida e feroz contra as autoridades.
Voltaire fazia parte de uma família nobre francesa. Estudou num colégio jesuíta da França, onde aprendeu latim e grego e teve uma formação tradicional, baseada na segunda escolástica.
Em 1713, foi designado como secretário da embaixada da França na cidade de Haia (Holanda). Em 1726, em função de uma disputa com um nobre francês, foi preso na Bastilha por cinco meses. Libertado, foi exilado na Inglaterra, onde viveu na cidade de Londres entre os anos de 1726 e 1728.
Retornou para a França em 1728 e começou a divulgar idéias filosóficas, desenvolvidas na fase que viveu em Londres. Estas idéias baseavam-se, principalmente, nos pensamentos de Newton e John Locke.
Em 1734, publicou uma de suas grandes obras, Cartas Filosóficas, em que defende a liberdade ideológica, a tolerância religiosa e o combate ao fanatismo dogmático.
Em 1742, viajou para a cidade de Berlim, onde foi nomeado historiógrafo, acadêmico e cavaleiro da Câmara Real. Em função de conflitos, precisou sair da Alemanha e foi morar na Suíça.
Retornou para Paris em 1778, onde morreu neste mesmo ano, no dia 30 de maio.
Voltaire foi bastante longevo e muito produtivo, por isso suas obras formam uma lista extensa, veja a seguir:
o    Édipo, 1718 
o    Mariamne, 1724 
o    La Henriade, 1728 
o    História de Charles XII, 1730 
o    Brutus, 1730 
o    Cartas filosóficas, 1734 
o    Mondain, 1736 
o    Epître sur Newton, 1736 
o    Tratado de Matafísica, 1736 
o    O infante pródigo, 1736 
o    Elementos da Filosofia de Newton, 1738 
o    Zulime, 1740 
o    Zadig ou o destino, 1748 
o    Le monde comme il va, 1748 
o    Nanine, ou le Péjugé vaincu, 1749 
o    O século de Luis XIV, 1751 
o    Micrômegas, 1752 
o    Essai sur les mœurs et l'esprit des Nations, 1756 
o    Histoire des voyages de Scarmentado écrite par lui-même, 1756 
o    Cândido ou o Otimismo, 1759
o    Le Caffé ou l'Ecossaise, 1760 
o    Tancredo, 1760 
o    Histoire d'un bon bramin, 1761 
o    La Pucelle d'Orléans, 1762 
o    Tratado sobre a tolerância, 1763 
o    Dicionário filosófico, 1764 
o    Jeannot et Colin, 1764 
o    Petite digression, 1766 
o    O ingênuo, 1767 
o    A princesa da Babilônia, 1768 
o    Questions sur l'Encyclopédie, 1770 
o    Le Cri du Sang Innocent, 1775 
o    Dialogues d'Euhémère, 1777 
o    Irene, 1778 
o    Agathocle, 1779 
Veja uma imagem do frontispício (a capa) e da primeira página da primeira edição do Cândido de Voltaire em inglês, uma deliciosa comédia crítica das contradições da sociedade de Antigo Regime:

 File:VoltaireCandidFrontis+Chap01-1762.jpg
·         Rousseau
Jean-Jacques Rousseau nasceu em 28 de junho de 1712 na cidade de Genebra (Suíça) e morreu em 2 de julho de 1778 em Ermenoville na França.. Rousseau não conheceu a mãe, pois ela morreu no momento do parto. Foi criado pelo pai, um relojoeiro, até os 10 anos de idade. Em 1722, outra tragédia familiar aconteceu na sua vida, a morte do pai. Na adolescência, foi estudar numa rígida escola religiosa. Nesta época estudou muito e desenvolveu grande interesse pela leitura e música.

No final da adolescência foi morar em Paris e, na fase adulta, começou a ter contatos com a elite intelectual da cidade, cuja porção mais brilhante era protagonizada pelos filósofos iluministas. Foi convidado por Diderot para escrever alguns verbetes para a Enciclopédia.
No ano de 1762, Rousseau começou a ser perseguido na França, pois suas obras foram consideradas uma afronta aos costumes morais e religiosos e portadoras de perigosas mensagens políticas. Refugiou-se na cidade suíça de Neuchâtel. Em 1765, foi morar na Inglaterra, a convite do filósofo David Hume.
De volta à França, Rousseau casou-se com Thérèse Levasseur, no ano de 1767, com quem já vivia abertamente há vários anos sem casamento, o que era chocante para a sociedade religiosa e moralista de então, reforçando as críticas contra seu pensamento.
Escreveu, além de estudos políticos, romances e ensaios sobre educação, religião e literatura. Sua obra principal é Do Contrato Social. Nesta obra, defende a idéia de que o ser humano nasce bom, porém a sociedade o conduz a degeneração. Afirma também que a sociedade funciona como um pacto social, onde os indivíduos, organizados em sociedade, concedem alguns direitos ao Estado em troca de proteção e organização.
Rousseau foi considerado um dos mais radicais filósofos franceses, pois seu pensamento atacava com muita força os pilares da sociedade do Antigo Regime e das sociedades humanas em geral. O filósofo questionou a questão da desigualdade social, da pobreza de muitos e da riqueza de poucos, de forma pouco usual entre os iluministas. Para Rousseau, as desigualdades entre os homens não são naturais e tampouco criadas por uma autoridade divina. Elas foram criadas a partir da divisão do trabalho que retirou os homens do estado de natureza, instaurando a propriedade privada. Foi o simples fato de um indivíduo, em certo momento da pré-história, ter dito sobre um pedaço de terra, “isso é meu” que iniciou a produção de desigualdades entre os homens, diferenciando-os entre os que têm e os que não.
Suas obras são Discurso sobre as Ciências e as Artes, Discurso sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens, Do Contrato Social, Emilio ou Da Educação e Os Devaneios de um Caminhante Solitário

·         Pierre Bayle
Pierre Bayle (1647-1706) foi um protestante francês (também chamados de huguenotes) e dedicou toda sua vida ao estudo e à filosofia. Ele viveu quase toda a sua vida como um fugitivo de Estados opressores, encontrando refúgio na cosmopolita Holanda do século XVII. Ele foi um dos filósofos mais lido do século XVIII, tendo influenciado grandemente os iluministas que vieram depois, pois seu pensamento era radical, portanto polêmico, e sedutor. Seu livro Dictionnaire historique et critique foi o texto filosófico mais popular do século XVIII. Seus escritos abordavam história, crítica literária, teologia; eram vistos como obscenos e tratavam de questões espinhosas para o período, como a tolerância religiosa. Sua afirmação de que era possível uma sociedade virtuosa formada por ateus (pessoas que não acreditam em deus) foi chocante na Europa de fins do século XVII; pois abria espaço para a afirmação de que a Igreja não tinha o monopólio da virtude e da moral, minando o poder dos padres.
Assim, Bayle se vinculou a uma corrente bastante radical do Iluminismo, a que defendia o ateísmo, ou que não o associava preconceituosamente à falhas de caráter, morais ou mesmo a um possível demônio. Essa corrente mais radical, que deve muito ao filósofo holandês Espinosa e seus discípulos, foi em geral combatida pelos demais filósofos, o que mostra que mesmo nas Luzes, a tolerância podia ter limites.

·         Adam Smith
Os historiadores crêem que Adam Smith nasceu a 5 de Junho de 1723. Fez seus primeiros estudos na sua cidade natal e aos 14 anos, ingressou na Universidade de Glasgow, onde se graduou no ano 1740,conseguindo também uma bolsa de estudos para a Universidade de Oxford, onde estudou filosofia.
A dada altura, retornou para a Escócia e tornou-se conferencista público em Edimburgo. Em 1751, foi professor de lógica na Universidade de Glasgow e no ano seguinte, passou a lecionar filosofia moral. Nessa época, travou relações com os nobres e altos funcionários, o que lhe permitiu em 1758 ser eleito reitor da Universidade. Seu primeiro trabalho, A Teoria dos Sentimentos Morais, foi publicado no ano seguinte.
Em 1763, Adam Smith renunciou ao seu posto na Universidade de Glasgow e mudou-se para a França. Após um ano na cidade de Toulouse, passou por Genebra, onde se encontrou com o filósofo Voltaire. Novamente em Paris, Adam Smith pode frequentar os salões literários e travou contacto com vários filósofos iluministas.
Era o ano de 1767, quando Smith decidiu retornar a Kirkcaldy, onde iniciou a elaboração e revisão de sua célebre teoria econômica. Passou três anos em Londres, onde concluiu seu livro, Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. Este foi publicado em 1776, tornando-se um dos mais influentes livros de teoria moral e econômica do mundo. As várias teorias formuladas lançaram as bases do liberalismo, como a teoria da livre concorrência e o conceito de mercado livre.
Não passado muitos tempo tornou-se comissário da alfândega na Escócia, o que lhe garantiu bons proveitos. Reconhecido e considerado um grande filósofo e economista exímio por seus contemporâneos, Adam Smith morreu em 1790, com 67 anos de idade.
As idéias de livre concorrência de mercado livre de Adam Smith eram críticas diretas às políticas econômicas mercantilistas das monarquias absolutistas européias. Contra a intervenção do Estado na economia criando monopólios que não beneficiavam a iniciativa privada (a burguesia), o intelectual propôs a idéia de que as leis naturais (racionais e empíricas) do mercado, se deixadas correr livres, sem interferência do Estado, tendem à harmonia da sociedade, uma vez que todos seriam livres para atuar conforme seu talento. Essa é a base do pensamento liberal. Ainda que tenha como valores certas formas de liberdade e de igualdade, o pensamento de Smith tem implicações autoritárias, pois, em oposição à Rousseau, não entende as desigualdades sociais como preocupações dos Estados, mas sim como problemas individuais particulares.

·         Kant
Immanuel Kant  (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano que pôde sintetizar o pensamento iluminista em um sistema filosófico de grandes proporções e de profundo impacto na cultura ocidental até hoje.
Depois de um longo período como professor secundário de geografia, começou em 1755 a carreira universitária ensinando Ciências Naturais. Em 1770 foi nomeado professor catedrático da Universidade de Königsberg, cidade da qual nunca saiu, levando uma vida monotonamente pontual e só dedicada aos estudos filosóficos. Realizou numerosos trabalhos sobre ciência, física, matemática, etc. A pontualidade de Kant era tamanha, que vários habitantes de sua cidade não conferiam as horas por relógios ou pelos sinos da Igreja, mas sim pela rotina do filósofo, que sempre fazia as mesmas coisas, passava pelos mesmos lugares a mesma hora todos os dias.
Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o Racionalismo continental (de René Descartes e Gottfried Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza a indução).
Kant é famoso, sobretudo pela elaboração do denominado idealismo transcendental: todos nós trazemos formas e conceitos a prioi (aqueles que não vêm da experiência) para a experiência concreta do mundo, os quais seriam de outra forma impossíveis de determinar. As filosofias da natureza e da natureza humana de Kant são historicamente umas das mais determinantes fontes do relativismo conceptual que dominou a vida intelectual do século XX. No entanto, é muito provável que Kant rejeitasse o relativismo nas formas contemporâneas, como por exemplo, o Pós-modernismo.
Kant é também conhecido pela filosofia moral e pela proposta, a primeira moderna, de uma teoria da formação do sistema solar, conhecida como a hipótese Kant-Laplace.
Kant resumiu o ideal iluminista em seu texto Resposta à pergunta o que é o Esclarecimento, em que define o iluminismo como a luta do homem de abandonar a sua menoridade, isto é, deixar de ser tutelado por outros homens e ser capaz de tomar as decisões de sua vida de forma autônoma, ousando usar ele mesmo a sua própria razão.

·         John Locke
John Locke nasceu na cidade de Wringtown a 29 de agosto de 1632 e morreu em Harlow a 28 de outubro de 1704. Alguns autores discutem se Locke foi um filósofo do Iluminismo de fato, pois viveu no século XVII e suas idéias não alcançaram o desdobramento crítico e sistemático típico dos pensadores das Luzes. No entanto, ele foi um dos intelectuais que jogou as bases para o pensamento ilustrado com sua teoria do conhecimento, sua noção de contrato social e de direitos naturais dos homens.
Locke rejeitava a doutrina das ideias inatas e afirmava que todas as nossas ideias tinham origem no que era percebido pelos sentidos. Escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza de nossos conhecimentos. Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais: direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos naturais, os homens haviam criado governos. Se esses governos, contudo, não respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade, o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões.
Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro tratado sobre o governo civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo tratado sobre o governo civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada.
Locke foi um filósofo contractualista, o que siginifica que entendia que a sociedade é organizada a partir de um pacto social, um acordo implicitamente aceito por todos aqueles que vivem nesta sociedade. O pacto social faz a passagem de um estado de natureza a-social pra um estado de sociedade política. Outros filósofos contractualistas foram Thomas Hobbes e Rousseau. O estado de natureza lockeano é caracterizado por relativa harmonia entre os indivíduos que desfrutam de poderes e de propriedades, todavia, não dispõem de garantias de conservação dessa propriedade e nem de suas vidas. Pois, no estado de natureza, não há leis elaboradas pelos homens nem Estado, impera o direito natural, as leis da natureza. Por isso, o estado de natureza é frágil e inconstante, as propriedades de cada um correm sempre o perigo de serem tomadas por outrem mais forte.
 O pacto social surge então como uma forma de dar segurança à propriedade, torná-la de fato privada. Assim, os homens abrem mão da igualdade completa do estado de natureza para constituir uma sociedade, em que serão iguais perante as leis que criarem, mas diferentes conforme a propriedade que acumularem. O poder político é instituído pelo pacto social na forma de um direito de elaborar leis no intuito de garantir o direito à propriedade e com a possibilidade de usar das forças sociais para assegurar o cumprimento das leis e a conservação do bem público.
O poder político, para Locke, é estabelecido quando os indivíduos abrem mão de seus poderes no estado de natureza para a constituição de sociedades, o que dá garantias seguras à conservação da propriedade privada. Assim, vê-se que Locke foi um dos principais teóricos do Liberalismo político, pensando o Estado como um defensor da propriedade privada, que seria um direito inalienável de todos os cidadãos.

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