segunda-feira, 18 de abril de 2011

A marquesa & a imperatriz - Parte 5 - Pode uma plebéia ser coroada imperatriz? Ou o fim casual de uma paixão

Com a morte da imperatriz, iniciou-se uma nova fase na vida em comum de Dom Pedro e Dona Domitila, que estavam cada vez mais unidos, suspeitou-se na corte no período que a marquesa teve inclusive ambições de casar-se com o monarca. Mal sabia a marquesa de Santos que seus dias de mando na corte do Rio de Janeiro estavam contados, pois o imperador logo deu ordens para seus embaixadores iniciarem as negociações na Europa para um novo casamento. Tais negociações foram bastante complicadas, pois atuou contra elas a Casa D’Áustria, possivelmente em represália ao modo como Dom Pedro tratara a filha querida do imperador Francisco I. A má fama do imperador era também um sério empecilho às negociações das novas bodas, ainda mais porque ele não rompera seu relacionamento com a marquesa, este, pelo contrário, parecia cada vez mais forte, como a excursão dos dois à fazenda do padre Correia no verão de 1827 parece mostrar. Não só a situação na Europa era complicada, a continuidade do relacionamento colocava a opinião pública cada vez mais contra Dom Pedro. Por fim, preponderou o orgulho de Pedro da sua condição de filho e descendente de reis, de príncipe, de rei, de imperador, de monarca, de soberano, que o fazia acreditar na necessidade vital de se casar apenas com uma mulher de linhagem igualmente elevada. Assim, para possibilitar o êxito das negociações, ele finalmente toma a decisão política necessária, afastar Domitila da corte e entregar a duquesa de Goiás a quem fosse hierarquicamente apropriada para educá-la. As suas ligações, que se estenderam até 1828, são cortadas em uma carta do imperador, “O marquês de Barbacena é chegado e sua vinda é motivada pela necessidade de me expor de viva voz os entraves que tem havido ao meu casamento em conseqüência de sua estadia aqui na Corte (...) de onde se torna indispensável sair por este mês até o meado do futuro junho o mais tardar (...) essa é a minha derradeira resolução bem como carta que lhe escrevo a não me responder com aquela obediência e respeito que lhe cumpre como minha súdita e principalmente criada”[1].
A 27 de junho de 1828, Domitila, a marquesa de Santos, partia para São Paulo.
Segue abaixo transcrição de uma das muitas cartas de D. Pedro I à marquesa de Santos:

"Meu amor,
minha Titília
        Eu não sei já onde tenho a 
minha cabeça e por pouco não perco o juízo,
considerando em tantas coisas.
   O amor que lhe tenho está provado com as provas
irrefragáveis. Se ele era grande, hoje, com a nova
prova por mecê dada da sua amizade para comigo
e constância, meu coração fica muito mais cativado
e procurarei dar cada vez mais demonstrações do
quanto a estimo e lhe sou obrigado e agradecido, pois
vejo e conheço o quanto me tem sofrido, tudo pro-
cedido do grande amor que me tem e que eu prometo
pagar com outro igual. Quanto ao que me diz de 
ingrata, respondo que sou infeliz, e que pouco du-
rarei para lhe não dar mais que sentir, pois a minha
aflição de hoje tem sido tão forte que sinto meus 
nervos tão afetados que bem temo algum acidente.
  Mártir da verdade, sou infeliz, não comporta que-
rer-lhe muito, muito e muito. As suas palavras para
mim não são evangelhos e muito acredito nelas, tan-
to como eu mesmo. Sinto que me diga uma in-
grata não deve ser acreditada, pois eu nunca disse que
a não acreditava, bem pelo contrário.
    Pelo amor de Deus, pelo amor de Deus lhe peço
que não me despreze por lhe dizer a verdade e me
perdoe algum excesso que tivesse no momento de me
dizer "é o que se pode esperar dos amigos". À tarde
vou aos seus pés e deles não me levanto sem que
mecê me perdoe, pois eu, se isso não acontecer, re-
ceio muito de mim, porque me vejo num estado
triste e sem me sair da cabeça que mecê me ficou...
não sei dizer mais, pois me falta prosa, única vez em
minha vida, só sei dizer que por Deus que está no
céu e que eu não me salve se a não estimo, se lhe não
quero bem e se até a não (não é lisonja) a não adoro.
    Assim confirmo como homem de palavra, como

         Seu verdadeiro amante fiel, constante, desvelado
         e agradecido e como seu
Imperador

Boa Vista, 18 4/8 25"²



Túmulo da Marquesa de Santos em São Paulo

Detalhe do jazigo da marquesa

[1] Idem, 743.
[2] PEDRO I, imperador do Brasil. Cartas de Pedro I à Marquesa de Santos. Alberto Rangel, Notas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

4 comentários:

  1. Cássio, sou aluna do primeiro ano do csa e estou à procura de algum professor particular de história para me ajudar com essa matéria que tenho muita dificuldade. Por acaso você sabe de algum que possa me ajudar?

    ResponderExcluir
  2. Oi Rachel!

    Bom, se vc tivesse perguntado um mês atrás eu poderia recomandar uma colega minha q é muito boa, porém, como agora não trabalho mais no colégio, posso te recomendar eu mesmo! Q tal?
    Sério, se vc quiser, te passo meu cel e a gente combina um horário. Mas se vc preferir alguém diferente, te passo o contato dessa minha colega.
    Mas nada tema, pq a matéria do 1º é tranquila, basta se acalmar.

    Bjos,
    Cássio

    ResponderExcluir
  3. Nossa eu quero sim, quedia você pode? Minha prova é na segunda e gostaria de marcas umas duas ou tres aulas para revisar tudo! Me ligue e a gente marca direito então! 86340499 Rachel

    ResponderExcluir
  4. Bom, então eu te ligo a tarde, provavelmente entre 12h35 e 13h, pra não atrapalhar qualquer aula sua. Mas já adianto q só posso a noite, depois das 18h, pq trabalho o dia inteiro. Mas conversamos mais ao telefone!

    ResponderExcluir